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Unicamp leva energia solar à Amazônia e forma indígenas para liderar transição energética; proposta foi apresentada na COP30

Escrito por Rannyson Moura
Publicado em 09/12/2025 às 19:52
Atualizado em 09/12/2025 às 19:53
Projeto da Unicamp apresentado na COP30 aposta em energia solar para reduzir uso de diesel e capacitar indígenas amazônicos na geração fotovoltaica sustentável.
Projeto da Unicamp apresentado na COP30 aposta em energia solar para reduzir uso de diesel e capacitar indígenas amazônicos na geração fotovoltaica sustentável.
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Projeto da Unicamp apresentado na COP30 aposta em energia solar para reduzir uso de diesel e capacitar indígenas amazônicos na geração fotovoltaica sustentável.

A energia solar desenvolvida a partir do conhecimento indígena e do saber acadêmico ganhou projeção internacional durante a COP30, com a apresentação do Projeto Sollar Rio Negro

A iniciativa foi destacada por representantes do Centro Paulista de Estudos da Transição Energética (CPTEn) e do Escritório Campus Sustentável da Unicamp, ao relatar a trajetória do Centro de Aprendizagem Indígena para a Transição Energética Justa.

Criado em 2021, o programa tem como foco ampliar o acesso à geração de energia solar fotovoltaica em comunidades indígenas da Amazônia, historicamente dependentes de geradores a diesel, que além de caros têm forte impacto ambiental. 

Em outubro de 2025, a primeira turma formada pelo centro concluiu o curso de capacitação, marcando um avanço concreto rumo a uma matriz mais limpa e autônoma.

Formação indígena impulsiona a geração de energia limpa

A primeira turma contou com 42 participantes, sendo 41 indígenas e uma pessoa não indígena. O grupo foi capacitado para atuar como multiplicador local, com conhecimento técnico para instalação, operação e manutenção de sistemas de energia solar em suas próprias comunidades.

Esse modelo fortalece a autonomia energética da região e contribui para reduzir o consumo de combustíveis fósseis. Além disso, cria oportunidades de formação técnica em territórios onde o acesso à educação especializada ainda é limitado.

O Projeto Sollar Rio Negro surgiu a partir da trajetória do jovem indígena Arlindo Baré, que participou do primeiro vestibular indígena da Unicamp em 2018 e planejava cursar Engenharia Elétrica. Inicialmente desenvolvido como um projeto de Iniciação Científica, o trabalho evoluiu e se tornou uma linha de pesquisa da universidade, sob coordenação da professora e pesquisadora Danúsia Arantes.

A proposta inicial previa atuação restrita à cidade de São Gabriel da Cachoeira, considerada a mais indígena do Brasil, com a presença de 24 povos distintos. No entanto, a adesão superou as expectativas. Segundo Arantes, em entrevista ao Jornal da Unicamp, a mobilização espontânea das comunidades ampliou o alcance do projeto. “Esse trabalho [de Baré] foi tão importante, tão significativo, que, independente de termos mapeado ou não aquele território, as comunidades se manifestaram e vieram”.

Ensino prático fortalece aplicação da energia solar

Durante a formação, foram conduzidos sete tipos de experimentos práticos, voltados ao aprendizado do funcionamento e da instalação de sistemas solares. Para isso, foram utilizados 24 painéis de energia fotovoltaica, transportados de Manaus até a sede da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), em uma viagem de dois dias de barco.

O método priorizou o aprendizado aplicado, conectando teoria e prática no contexto real das comunidades amazônicas, respeitando o território, o clima e as necessidades locais.

Além disso, o projeto se destaca por unir conhecimentos tradicionais indígenas com o linguajar técnico e acadêmico da engenharia e das ciências ambientais. A atuação conjunta com a Foirn garantiu o respeito aos protocolos definidos pelas próprias comunidades.

Além disso, Arlindo Baré realizou consultas diretas com líderes indígenas, pajés e intelectuais, buscando validação coletiva do percurso adotado. Em entrevista ao Jornal da Unicamp, ele destacou: “Realizamos o 1º Encontro Internacional de Pesquisadores e Pesquisadoras Indígenas para ver se estávamos no caminho certo. Ouvimos gente como o Cacique Raoni e Krenak”.

A valorização dos saberes ancestrais esteve presente até na escolha dos materiais utilizados nos experimentos. “Foi uma oportunidade para que fizéssemos uma provocação. A tecnologia do homem branco pode dialogar com a etnoengenharia”, relatou Baré. Em uma das atividades, por exemplo, o uso de plástico foi substituído por madeira, com base no conhecimento tradicional dos estudantes indígenas.

Apoios institucionais fortalecem expansão da energia solar

Além da Unicamp e da Foirn, o projeto contou com o apoio do Instituto Anabb, braço social da Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil, e do Instituto Vidas da Amazônia, que contribuíram com recursos financeiros.

Entre os próximos objetivos estão a ampliação do centro de aprendizagem e a criação de condições permanentes para uma transição da matriz energética, garantindo autonomia dos povos indígenas, respeito ambiental e valorização cultural, com a energia solar como eixo central desse processo.

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Rannyson Moura

Graduado em Publicidade e Propaganda pela UERN; mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutorando em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG. Atua como redator freelancer desde 2019, com textos publicados em sites como Baixaki, MinhaSérie e Letras.mus.br. Academicamente, tem trabalhos publicados em livros e apresentados em eventos da área. Entre os temas de pesquisa, destaca-se o interesse pelo mercado editorial a partir de um olhar que considera diferentes marcadores sociais.

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