A construção de 73 parques eólicos no Nordeste levou energia limpa ao país, mas também doenças e expulsão de moradores; investimento declarado pelas empresas chegou a US$ 1,8 bilhão
Quando o vento não traz sossego. O barulho nunca para. Não importa se é dia ou noite, se venta pouco ou muito. Para quem mora perto das usinas eólicas no Nordeste, o som constante das pás girando virou parte forçada da rotina e, para muitos moradores, um pesadelo sem fim.
O que era para ser símbolo de energia limpa e futuro sustentável acabou se transformando em fonte de estresse, doenças e abandono da própria casa. E o pior: quase sempre sem diálogo, sem compensação justa e sem regra clara.
“Parece um avião que nunca pousa”
É assim que o agricultor Leonardo de Oliveira Morais, de 36 anos, descreve a experiência de viver a apenas 180 metros de uma turbina eólica no sítio Pontais, zona rural de Venturosa, no agreste de Pernambuco. O som constante não dá trégua. Dormir virou desafio. Trabalhar, um esforço dobrado.
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Casos como o dele se repetem em várias cidades do nordeste, principalmente em Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Bahia — estados que concentram a maior parte dos parques eólicos do país.
Energia limpa para quem? Brasil hoje é o 5º maior produtor de energia eólica do mundo com mais de US$ 1,8 bilhão investidos no setor
O Brasil hoje é o 5º maior produtor de energia eólica do mundo, com 1.131 complexos instalados e capacidade de gerar 34,5 GW, o que representa 16% da energia elétrica nacional, segundo a Abeeólica.
O Nordeste concentra 95% dessa geração, tornando-se o coração da energia dos ventos no país.
Só em 2024, foram inaugurados 76 novos parques, sendo 73 no Nordeste — uma média de um parque novo a cada cinco dias. O investimento declarado pelas empresas chegou a US$ 1,8 bilhão.Além disso, há 53 parques em construção e outros 441 em fase de projeto, conforme dados da Aneel.
O problema? Tudo isso foi feito sem regra nacional clara sobre a distância mínima entre turbinas e residências.

Distância que machuca: Em países europeus, a regra é bem diferente
Em países europeus, a regra é bem diferente. Segundo nota técnica do Ibama, há exigência de distância mínima de até 1,2 km entre aerogeradores e casas. A média internacional gira em torno de 780 metros.
No Brasil, não houve esse cuidado. A reportagem do UOL encontrou dezenas de casas a menos de 200 metros das torres — algo considerado fora do padrão internacional.
De acordo com o pesquisador Francesco Dalla Longa, esse afastamento maior reduz o ruído de 109 decibéis para cerca de 40 decibéis, limite diurno definido pela ABNT.
Quando a casa deixa de ser lar
Um dos casos mais simbólicos é o de Simão Salgado da Silva, agricultor de 77 anos, ex-morador do sítio Pau Ferros, em Caetés. Em 2014, a usina São Clemente foi instalada ao redor da sua propriedade.
A casa ficou a 220 metros de uma turbina, cercada por oito torres. O impacto foi devastador.
A esposa adoeceu gravemente. A família precisou abandonar um terreno de 33 hectares, referência nacional em agroecologia.
Hoje, Simão processa a empresa responsável e aguarda decisão judicial.
“Para mim foi uma perda irreparável. Fico constrangido até hoje”, relata Simão, que também preside o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Caetés.
Comunidades organizadas e resistência
Em Caetés, agricultores criaram a Escola dos Ventos, uma ONG que reúne cerca de 700 famílias impactadas só pelo parque São Clemente.
A mobilização surtiu efeito. Após protestos e ocupação da sede da Adepe, a CPRH negou a renovação da licença do complexo, que tem 126 aerogeradores.
Mesmo assim, a usina segue funcionando por decisão liminar do Tribunal de Justiça de Pernambuco.
“Não deu mais para aguentar o barulho”
Em Paranatama, a história se repete. José Orlando Pereira, de 40 anos, deixou para trás um sítio de 3,5 hectares após a chegada do parque Serra das Vacas.
“Fechei a casa e fomos embora. Não deu mais para aguentar”, conta.
Hoje, ele vive de aluguel na cidade e aguarda indenização há quatro anos.
Já Miguel Pereira da Silva, de 62 anos, cego, relata medo constante:
“Quando venta muito, penso que isso pode cair e acabar com tudo.”
Barulho que adoece o Nordeste
A ciência confirma o que os moradores sentem no corpo. Estudos sobre a chamada síndrome da turbina eólica associam a exposição contínua ao ruído a:
- Insônia
- Ansiedade
- Depressão
- Hipertensão
- Perda auditiva
A pesquisadora Wanessa Gomes, da Fiocruz e professora da UPE, estudou 105 moradores do sítio Sobradinho, em Caetés, entre 2023 e 2025.
Resultados alarmantes:
- 68% com transtornos mentais leves
- Estresse: 77%
- Perda da qualidade do sono: 75%
- Insônia: 73%
- Ansiedade: 64%
“O ideal seria um distanciamento mínimo de 1,5 km. O mais seguro, 2 km”, afirma a pesquisadora.
Como medida emergencial, ela defende desligar os aerogeradores à noite.
O que dizem empresas e governo sobre as usinas gigantes do Nordeste
A CPRH afirma estar finalizando um Termo de Compromisso com as empresas para corrigir impactos.
A Echoenergia, responsável pelo parque São Clemente, diz ter feito reformas acústicas em 128 casas e realocado famílias voluntariamente.
A Abeeólica reconhece problemas em parques antigos e afirma que, nos últimos cinco anos, passou a adotar distância mínima de 400 metros — ainda abaixo do padrão internacional.
Já o Ministério de Minas e Energia informa que mantém diálogo permanente e participa da revisão da resolução do Conama, em consulta pública até 31 de dezembro.
Energia limpa precisa ser justa
O Nordeste não causou a crise climática global, mas vem pagando um preço alto pela transição energética feita às pressas.
Energia limpa não pode significar doença, medo e expulsão de moradores.
Sem regra clara, fiscalização rígida e reparação justa, os parques eólicos deixam de ser solução e passam a ser mais um problema social.
E você, o que acha? Os parques eólicos estão sendo implantados de forma justa no Brasil? Deixe seu comentário, compartilhe este conteúdo e ajude esse debate a chegar a mais pessoas.
…após estes esclarecimentos, hão de ser CONSIDERADOS A FAUNA E A FLORA, pois, ao que parece, já devem ter sido DIZIMADOS…
O PT faz isso há décadas, empobrecendo, adoecendo e e expulsando o povo nordestino para o sudeste… Mas confia, no próximo mandato o Lula e seus capangas dos estados nordestinos vão acaba com a miséria por lá…
As empresas causadoras do problema deveria reconstruir as casas em distâncias recomendadas pelos padrões internacionais sem custos para os moradores.