No Brasil, a Vale realizou divulgação de resultados com prejuízo de US$ 3,8 bilhões no 4T25 para ajustar baixas contábeis, provocando impacto direto no lucro líquido e chamando atenção de investidores e do mercado financeiro
A Vale surpreendeu o mercado ao divulgar seus resultados do quarto trimestre de 2025 após o fechamento da Bolsa. Apesar de um desempenho operacional considerado forte, o balanço trouxe um prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões atribuível aos acionistas.
O número chama atenção porque um ano antes a mineradora havia registrado prejuízo bem menor, de US$ 694 milhões. O contraste foi significativo.
Mesmo assim, por trás do resultado negativo existem números que mostram outra realidade operacional, principalmente quando se observam os dados ajustados e o desempenho de produção.
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Baixas contábeis bilionárias explicam prejuízo no quarto trimestre de 2025
O principal motivo do prejuízo foi o registro de impairments que somaram US$ 3,5 bilhões nos ativos de níquel da Vale Base Metals no Canadá. A revisão das premissas de preço de longo prazo para o níquel impactou diretamente os ativos.
Além disso, houve uma baixa de US$ 2,8 bilhões relacionada a imposto diferido de subsidiárias.
O resultado também refletiu provisões adicionais ligadas à Samarco e menores ganhos com ativos não recorrentes.
Quando excluídos os efeitos relacionados a Brumadinho, à descaracterização de barragens e outros itens não recorrentes, o cenário muda. Na modalidade proforma, o lucro líquido teria sido de US$ 1,4 bilhão.
Ainda assim, o número ficou abaixo da projeção de analistas ouvidos pela LSEG, que estimavam lucro de US$ 2,457 bilhões.
Ebitda de US$ 4,5 bilhões mostra força operacional mesmo com prejuízo contábil
Mesmo com o prejuízo, o Ebitda no trimestre alcançou US$ 4,5 bilhões.
Na modalidade proforma, o indicador chegaria a US$ 4,8 bilhões, com margem Ebitda proforma de 44 por cento. O resultado foi beneficiado por maiores volumes de vendas e preços mais altos de cobre e minério de ferro.
O cálculo do Ebitda proforma exclui efeitos relacionados a Brumadinho, descaracterização de barragens e itens não recorrentes. Já o Ebitda ajustado é utilizado para cálculo de dividendos.
A receita líquida da mineradora somou US$ 11 bilhões, alta de 9 por cento no ano e crescimento de 6 por cento na comparação trimestral.
O impacto operacional foi imediato e mostrou que, apesar do prejuízo contábil, a geração operacional continua robusta.
Produção e vendas crescem e atingem maiores níveis desde 2018
A Vale alcançou no quarto trimestre de 2025 os maiores níveis de produção de minério de ferro e cobre desde 2018.
As vendas cresceram 5 por cento no minério de ferro, com aumento de 4 milhões de toneladas. No cobre, a alta foi de 8 por cento, equivalente a 8 mil toneladas. Já o níquel avançou 5 por cento, com crescimento de 3 mil toneladas.
O preço médio realizado do minério de ferro subiu 3 por cento na comparação anual, atingindo US$ 95,4 por tonelada.
O cobre apresentou valorização ainda mais expressiva. O preço realizado cresceu 20 por cento na comparação anual e 12 por cento em relação ao trimestre anterior.
Os custos all in de cobre totalizaram US$ menos 881 por tonelada no período.
Projetos como Capanema, Vargem Grande, VBME e Onça Puma ajudaram a sustentar o desempenho, com ramp up bem sucedido e maior confiabilidade dos ativos.
Dívida líquida de US$ 15,5 bilhões reduz espaço para dividendos extraordinários
A dívida líquida expandida ficou em US$ 15,5 bilhões, redução de 5 por cento na comparação anual e queda de US$ 1 bilhão frente ao trimestre anterior.
A meta da companhia permanece entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões.
No entanto, quanto mais próxima do limite superior, menor a possibilidade de pagamento de dividendos extraordinários. Com a dívida acima de US$ 15 bilhões, o mercado já descarta essa possibilidade no momento.
O detalhe que mais chamou atenção foi justamente essa combinação entre geração operacional forte e restrição financeira para dividendos adicionais.
Fluxo de caixa livre cresce 107 por cento e capex soma US$ 2 bilhões
A geração de Fluxo de Caixa Livre Recorrente atingiu US$ 1,6 bilhão no terceiro trimestre de 2025, alta de 107 por cento na comparação com o mesmo período de 2024.
O avanço foi impulsionado pelo desempenho mais forte do Ebitda proforma e por menores despesas líquidas.
O capex no período ficou em US$ 2 bilhões.
O capital de giro positivo foi influenciado pela entrada de caixa das vendas de minério de ferro do trimestre anterior e por menores volumes acumulados ao final do período.
No acumulado de 2025, o lucro da mineradora foi de R$ 13,8 bilhões. A companhia informou que atingiu integralmente os guidances estabelecidos para o ano, além de reforçar avanços em segurança operacional, incluindo a ausência de barragens em nível 3 de emergência.
Mesmo com prejuízo contábil bilionário no quarto trimestre, a Vale mostrou força operacional, crescimento em produção e disciplina financeira, em um cenário que mistura impacto contábil relevante e desempenho produtivo consistente.
O que você acha do resultado da Vale em 2025? Acredita que a empresa deve priorizar redução da dívida ou dividendos no próximo ano? Deixe sua opinião nos comentários.

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