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Aos 64 anos, ex-morador de rua é aprovado na Universidade Federal do Pará e transforma trajetória marcada por abandono, preconceito e fome em exemplo nacional de superação pelos estudos

Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado el 29/11/2025 a las 11:56
Ex-morador de rua de 64 anos é aprovado na UFPA após décadas nas ruas; história de Walmerinston inspira debate sobre inclusão e acesso ao ensino superior no Brasil. Imagem: divulgação
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Após duas décadas vivendo nas calçadas de Belém, sem família e sem perspectivas, Walmerinston Paixão Corrêa retomou os estudos, concluiu o ensino médio, fez o Enem e conquistou uma vaga em Letras na UFPA; história comove educadores e reacende debate sobre inclusão, envelhecimento e acesso ao ensino superior no Brasil

A aprovação de Walmerinston Paixão Corrêa, de 64 anos, no curso de Letras da Universidade Federal do Pará (UFPA) tornou-se um dos casos mais marcantes de superação acadêmica do país em 2025. Após viver cerca de duas décadas em situação de rua em Belém, ele decidiu retomar os estudos e transformar radicalmente sua própria história.

Para conseguir voltar à sala de aula, Walmerinston precisou começar do zero. Sem documentos, sem renda e sem apoio familiar, buscou programas sociais, regularizou sua situação civil e entrou na Educação de Jovens e Adultos (EJA), onde voltou a ter contato com livros e professores.

Nos últimos anos, ele concluiu o ensino médio, estudou diariamente em bibliotecas públicas e fez o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), conquistando pontuação suficiente para ingressar na UFPA. A vaga, segundo ele, representa “um renascimento”.

Imagem: divulgação

Uma vida marcada por abandono e resistência

Durante cerca de 20 anos, Walmerinston dormiu em calçadas, praças e abrigos municipais. Ele relata ter enfrentado fome, frio, humilhações e episódios constantes de violência enquanto vivia nas ruas da capital paraense.

Mesmo nessas condições, mantinha cadernos velhos onde escrevia poemas, reflexões e memórias. O hábito de registrar suas experiências o ajudou a preservar o sonho de estudar literatura e um dia se tornar professor.

O reencontro com a educação aconteceu quando voluntários de um centro social o convidaram a participar de aulas gratuitas para adultos em situação de vulnerabilidade. A partir dali, sua rotina mudou completamente.

Do EJA ao Enem: disciplina e reconstrução

Walmerinston conta que aproveitava cada oportunidade para estudar: lia em praças, estudava à noite em abrigos e assistia a aulas gratuitas pela internet em telecentros comunitários. Seu empenho chamou atenção dos educadores.

Para o Enem, estudou redação, literatura e interpretação de texto com foco total. Segundo ele, a parte mais difícil não foram os conteúdos, mas “acreditar que ainda dava tempo”.

O esforço resultou em uma pontuação capaz de garantir vaga em uma das maiores universidades públicas do país. Ele escolheu Letras por ver na língua portuguesa “uma ferramenta de libertação”.

Impacto social e inspiração para políticas públicas

A história de Walmerinston repercutiu entre professores, pesquisadores e movimentos sociais no Pará. Para especialistas, casos como o dele evidenciam a importância de políticas de inclusão educacional para pessoas em situação de rua.

A UFPA destacou que o caso reforça o papel da universidade pública na promoção de mobilidade social e no acolhimento de estudantes historicamente excluídos do sistema educacional.

Nas redes sociais, milhares de pessoas compartilharam a vitória do estudante, descrevendo-a como “uma prova viva de que educação muda vidas”, independentemente da idade ou do passado.

Projetos futuros e o sonho de escrever livros

Já matriculado, Walmerinston pretende se dedicar à graduação e sonha publicar um livro contando sua trajetória pelas ruas de Belém. Ele afirma que deseja transformar dor em literatura.

O novo universitário também quer atuar como defensor de direitos das pessoas em situação de vulnerabilidade, incentivando adultos e idosos a retomarem os estudos.

Para ele, a aprovação na universidade representa “uma porta que se abre depois de anos no escuro” — uma chance de reconstruir sonhos interrompidos e inspirar quem vive dificuldades semelhantes. Quantas vidas poderiam mudar se o Brasil enxergasse a educação como Walmerinston enxergou?

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Saulo Ferreira
Saulo Ferreira
05/12/2025 06:49

Grande Exemplo a ser seguido por centenas e centenas de pessoas, principalmente em situações de vulnerabilidade. Tá provado tb que não existe impedimento algum, qdo a escolha é determinante pras conquistas e mudanças de vida.

Adriana Aparecida de Sousa Araujo
Adriana Aparecida de Sousa Araujo
05/12/2025 00:07

Parabéns, eu aos 58 anos estou concluindo a segunda graduação, a primeira em tecnólogo e agora bacharelado em ciências contábeis, creio que ainda lutando contra as adversidades encontradas nessa trajetória.

Maria Luiza
Maria Luiza
03/12/2025 09:06

parabéns pelo seu esforço, o senhor merece vencer essa batalha siga em frente e que Deus te abençoe sempre 😘🙏

Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com

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