Relatório oficial revela mudança estratégica após anos de críticas ao setor de jornais e reforça aposta no modelo digital de assinaturas
Uma movimentação relevante no mercado financeiro internacional foi confirmada em fevereiro de 2026, quando a Berkshire Hathaway apresentou à SEC, órgão regulador dos Estados Unidos, seu relatório 13-F referente ao quarto trimestre de 2025. O documento revelou que Warren Buffett incluiu ações do The New York Times na carteira do conglomerado antes de encerrar seu ciclo no comando da empresa.
O investimento totalizou US$ 351,6 milhões ao final de 2025, conforme dados oficiais enviados à autoridade reguladora. Embora represente uma fração dos US$ 274 bilhões aplicados em ações pela Berkshire, a decisão simboliza uma inflexão estratégica relevante diante do histórico recente do investidor em relação ao setor jornalístico.
Mudança estratégica após declarações críticas
Seis anos antes, em 2019, Buffett afirmou publicamente que o mercado de jornais estava praticamente encerrado. No entanto, em 2018, durante reunião anual com acionistas, ele já havia reconhecido que veículos como The Wall Street Journal, The New York Times e possivelmente The Washington Post apresentavam modelos digitais sólidos o suficiente para enfrentar o declínio da circulação impressa.
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Ainda assim, em janeiro de 2020, a Berkshire vendeu suas operações jornalísticas por US$ 140 milhões, conforme reportado à época. O grupo se desfez de dezenas de jornais, incluindo o Omaha World-Herald, em Nebraska, sede do conglomerado, além do Buffalo News, adquirido em 1977.
Portanto, a entrada do The New York Times no portfólio em 2025 representa uma mudança objetiva de posicionamento. O foco deixa de ser o modelo impresso tradicional e passa a concentrar atenção na sustentabilidade do modelo digital baseado em assinaturas.
Desempenho financeiro sustenta decisão
O The New York Times encerrou 2025 com 12,8 milhões de assinaturas digitais, segundo balanço corporativo divulgado pela própria companhia. A meta pública estabelecida é alcançar 15 milhões até o final de 2027.
Além disso, o jornal ampliou receitas com produtos complementares, como jogos e receitas culinárias digitais. Em termos financeiros, a empresa registrou US$ 2,8 bilhões em receita em 2025, sendo que 69% desse valor veio de assinaturas. O lucro operacional no período atingiu US$ 431,6 milhões.
Esse desempenho reforça que o modelo digital consolidado foi determinante para a decisão de investimento. A estratégia evidencia que a geração recorrente de receita se tornou elemento central na avaliação do ativo.
O peso do investimento dentro da Berkshire
Apesar do simbolismo, a participação no The New York Times ainda ocupa espaço reduzido dentro da carteira total. Atualmente, quase metade do portfólio de ações da Berkshire está concentrada em duas empresas.
A Apple representa 23% das participações, enquanto a American Express responde por 21%. Juntas, essas duas posições somam aproximadamente US$ 118 bilhões sob gestão.
Além delas, o conglomerado mantém participações relevantes em Bank of America (10%), Coca-Cola (10%) e Chevron (7,2%). Assim, o investimento no jornal configura uma posição estratégica, porém proporcionalmente menor.
Transparência regulatória e contexto histórico
Todas as informações constam no relatório 13-F entregue à SEC em 17 de fevereiro de 2026, reforçando a transparência exigida pelo mercado financeiro norte-americano. O movimento ocorreu antes da aposentadoria de Buffett da liderança executiva da Berkshire.
Dessa forma, a decisão ocorre em um contexto histórico de transformação digital no setor de mídia. O investimento não indica retorno ao modelo tradicional de jornais impressos, mas sim reconhecimento da força do ecossistema digital de assinaturas.
Para você, a aposta no The New York Times sinaliza apenas uma diversificação pontual ou marca o início de uma nova visão estratégica sobre o futuro da mídia digital?
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