Descoberta em 2017, a Zelândia é um continente submerso ligado à Terra Australis, Gondwana e à geologia da Nova Zelândia.
Um continente inteiro esteve escondido sob os oceanos por milhões de anos. Trata-se da Zelândia, um continente submerso revelado oficialmente por geólogos em 2017, que reescreveu conceitos clássicos da geografia mundial.
A descoberta foi feita por cientistas da Nova Zelândia e de outros países, com base em dados geológicos e satelitais, e mostrou que o planeta não tem sete, mas oito continentes.
Localizada no sudoeste do Oceano Pacífico, a Zelândia ajuda a explicar antigas teorias como a Terra Australis, a fragmentação de Gondwana e a própria geologia da Nova Zelândia.
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Embora quase totalmente submersa, a Zelândia possui área de cerca de 4,9 milhões de quilômetros quadrados.
Assim, mesmo invisível à primeira vista, ela atende aos critérios científicos para ser considerada um continente.
O reconhecimento resolve um debate que atravessou séculos e conecta ciência moderna com explorações iniciadas ainda no século 17.
Zelândia e a antiga busca pela Terra Australis
Muito antes da confirmação científica, navegadores europeus acreditavam que deveria existir uma grande massa de terra no hemisfério sul.
Essa ideia, chamada de Terra Australis, surgiu na Roma Antiga e persistiu por séculos como hipótese geográfica.
Em 1642, o navegador holandês Abel Tasman partiu do Sudeste Asiático em busca desse território desconhecido.
Ele alcançou a atual Nova Zelândia, mas conflitos com os povos maori interromperam a expedição.
Sem desembarcar, Tasman retornou à Europa convencido de que havia encontrado parte do continente sul, embora sem provas suficientes.
Somente séculos depois ficou claro que Tasman estava, em essência, certo.
A Terra Australis não era apenas um mito, mas um conceito incompleto de algo maior: a Zelândia.
Como a Zelândia foi reconhecida como continente submerso
A confirmação da Zelândia exigiu décadas de estudos. Inicialmente, cientistas observaram que a geologia da Nova Zelândia apresentava características continentais, como diversidade de rochas e crosta mais espessa que a oceânica.
Na década de 1960, a ciência passou a adotar critérios mais claros para definir o que é um continente. Ainda assim, o avanço foi lento, sobretudo pelo alto custo das pesquisas em mar profundo.
O cenário mudou nos anos 1990, quando novos levantamentos geofísicos e dados de satélite revelaram uma enorme massa continental submersa.
A virada definitiva ocorreu em 2017, quando os pesquisadores reuniram evidências suficientes para anunciar ao mundo que a Zelândia era real.
A ligação entre Zelândia e Gondwana
Do ponto de vista geológico, a Zelândia é um fragmento direto de Gondwana, o supercontinente que existiu há mais de 500 milhões de anos e reunia quase todas as terras do hemisfério sul.
África, América do Sul, Antártida, Austrália e Índia faziam parte dessa estrutura.
Há cerca de 105 milhões de anos, a Zelândia começou a se separar de Gondwana.
Durante esse processo, as forças tectônicas esticaram a crosta e a tornaram muito mais fina do que o normal.
Como consequência, o continente afundou gradualmente, tornando-se um continente submerso, com apenas algumas áreas emergidas.
Essa origem explica por que a Zelândia possui rochas típicas de continentes, como granito e calcário, e não apenas basalto, comum no fundo oceânico.
Mistérios geológicos e fósseis do continente submerso
Apesar do reconhecimento, a Zelândia ainda guarda muitas incógnitas. Uma delas é saber se o continente já foi totalmente emerso ou se sempre existiu majoritariamente sob o mar.
Outra questão envolve a presença de vida terrestre.
Pesquisas indicam que fósseis encontrados na Nova Zelândia, incluindo restos de dinossauros, datam de períodos posteriores à separação de Gondwana.
Isso levanta a possibilidade de que partes da Zelândia tenham servido como refúgio para espécies antigas.
Além disso, estudos com perfurações profundas encontraram pólen e microfósseis marinhos, sugerindo ambientes costeiros rasos no passado.
Segundo os cientistas, esses indícios reforçam a ideia de que o continente submerso teve fases de maior exposição.
Por que a Zelândia é importante para a ciência hoje
A Zelândia não é apenas uma curiosidade geográfica. Ela tem implicações diretas na compreensão da tectônica de placas, da biodiversidade do hemisfério sul e da história climática da Terra.
Também possui relevância econômica, pois amplia o entendimento sobre plataformas continentais e recursos naturais marinhos.
Mais de 400 anos após a busca pela Terra Australis, a ciência confirma que ainda existem capítulos inteiros da história do planeta escondidos sob os oceanos.
A Zelândia prova que a geografia mundial continua em construção e que a geologia da Nova Zelândia é peça-chave para entender esse quebra-cabeça global.
para ler mais sobre acesse: O continente perdido que levou 375 anos para ser descoberto – BBC News Brasil
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